Todo mês de julho o Brasil se veste de amarelo. Não por acaso, a cor é um alerta silencioso sobre uma das doenças mais subestimadas da saúde pública: as hepatites virais.
Na maioria das vezes, as hepatites são infecções silenciosas, ou seja, não apresentam sintomas. Quando presentes, podem se manifestar como cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras.
É exatamente esse silêncio que torna a doença tão perigosa e o diagnóstico precoce tão essencial.
As hepatites virais são infecções que atingem o fígado, causando alterações que variam de leves a graves. As mais comuns no Brasil são causadas pelos vírus A, B e C, sendo os dois últimos responsáveis por muitas infecções crônicas.
Cada tipo tem características específicas:
Hepatite A — transmitida principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados. Tem cura espontânea na maioria dos casos e existe vacina disponível no SUS.
Hepatite B — transmitida por contato com sangue, relações sexuais sem proteção e de mãe para filho durante o parto. Pode se tornar crônica e evoluir para cirrose ou câncer de fígado. Há vacina e tratamento.
Hepatite C — transmitida principalmente por contato com sangue contaminado. Não tem vacina, mas tem cura, desde que diagnosticada e tratada a tempo.
Entre 2000 e 2022, foram diagnosticados 750.651 casos confirmados de hepatites virais no Brasil. Mas esse número representa apenas quem foi diagnosticado. Estima-se que 520 mil pessoas tenham hepatite C sem diagnóstico e sem tratamento.
Você que está lendo este artigo pode estar entre essas pessoas, sem saber.
As hepatites virais acarretam aproximadamente 1,4 milhão de mortes anualmente no mundo, seja por infecção aguda, câncer hepático ou cirrose associados aos tipos virais da doença.
O Brasil conseguiu reduzir a mortalidade por hepatites nos últimos 10 anos com o avanço da vacinação, com redução de 50% do coeficiente de mortalidade de hepatite B e 60% do coeficiente de mortalidade de hepatite C.
A meta do país, alinhada à Organização Mundial da Saúde, é reduzir os óbitos por hepatites virais em 65% e a incidência em 90% até 2030. Um objetivo ambicioso, mas possível, desde que o diagnóstico precoce seja prioridade.
A frase estampada na campanha do Julho Amarelo não é apenas um slogan. É a síntese de tudo que a medicina laboratorial sabe sobre essas doenças: sem diagnóstico, não há tratamento. Sem tratamento, a doença avança silenciosa por anos, comprometendo o fígado, gerando cirrose, aumentando o risco de câncer e, nos casos mais graves, levando à necessidade de transplante.
Os exames para as hepatites virais B e C são simples, rápidos e acessíveis. Uma amostra de sangue é suficiente para identificar a presença dos vírus e mudar o curso de uma vida.
O Ministério da Saúde recomenda a testagem para qualquer pessoa que:
Se você se encaixa em qualquer um desses grupos ou simplesmente nunca fez o exame, o Julho Amarelo é o momento certo para mudar isso.
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