A regulamentação dos exames de análises clínicas no Brasil entrou em uma nova etapa.
Mas o que isso representa para clínicas, farmácias, postos de coleta e investidores que pretendem entrar nesse mercado?
A primeira informação importante é que a avaliação não suspende nem substitui a norma vigente. As operações devem continuar seguindo a RDC 978/2025, sua alteração pela RDC 986/2025 e as exigências aplicáveis em cada localidade. Na prática, o movimento reforça uma mensagem importante: a expansão dos serviços de exames deverá vir acompanhada de processos organizados, registros consistentes e capacidade de demonstrar a qualidade da operação.
Até o momento, a entrada da RDC 978/2025 na agenda de avaliação não representa uma nova alteração nas regras. A Avaliação de Resultado Regulatório é um processo utilizado para analisar os efeitos de uma norma depois de sua implementação. A Anvisa poderá observar se os objetivos foram alcançados, quais dificuldades surgiram e se existem pontos que precisam ser esclarecidos ou aperfeiçoados. Portanto, não existe fundamento para adiar uma implantação esperando uma mudança imediata na regulamentação.
Clínicas, farmácias e investidores que desejam oferecer exames precisam trabalhar com as regras atuais e validar as exigências do município, da Vigilância Sanitária e dos respectivos conselhos profissionais. A própria Anvisa disponibilizou um documento de perguntas e respostas para esclarecer dúvidas sobre a RDC 978/2025 e reforçar os requisitos técnico-sanitários aplicáveis aos serviços que executam exames no Brasil. Consulte as orientações oficiais da Anvisa.
A avaliação poderá considerar informações sobre a aplicação prática da RDC, as dificuldades enfrentadas pelos estabelecimentos e os resultados alcançados após sua entrada em vigor. Isso significa que uma operação bem documentada não serve apenas para uma eventual fiscalização. Os registros também ajudam o próprio estabelecimento a identificar falhas, melhorar os processos e demonstrar que os exames são realizados de maneira controlada. Cada modelo de serviço possui suas particularidades. Por isso, os documentos e processos precisam estar alinhados às atividades efetivamente realizadas no estabelecimento.
Entre as informações relevantes para uma operação estão:
Outro movimento relevante está na Agenda Regulatória 2026–2027 da Anvisa. Entre os temas previstos está a elaboração de um regulamento técnico para o funcionamento dos provedores de controle de qualidade destinados aos serviços que executam exames de análises clínicas. A agenda também contempla a revisão das boas práticas relacionadas aos serviços farmacêuticos. Esses temas ainda estão em desenvolvimento e não representam novas regras já aprovadas. Mesmo assim, mostram quais áreas estarão no radar da Anvisa nos próximos anos. Veja a Agenda Regulatória 2026–2027. Para clínicas, farmácias e postos de coleta, isso reforça a necessidade de avaliar cuidadosamente equipamentos, fornecedores, programas de controle de qualidade e documentação técnica. Escolhas realizadas apenas com base no menor preço podem gerar dificuldades durante a implantação, a rotina operacional ou uma fiscalização sanitária.
Os exames point-of-care criam uma oportunidade para que farmácias ampliem a conveniência oferecida ao público e fortaleçam sua atuação como estabelecimento de saúde. Porém, a decisão de oferecer exames no local não deve começar pela compra do equipamento. Antes disso, é necessário entender qual será o modelo de serviço, quais exames serão realizados, quem será o profissional executor, como ocorrerá o controle de qualidade e quais são as exigências da Vigilância Sanitária local.
A estrutura física também precisa ser compatível com as atividades desenvolvidas. Além do espaço, devem ser considerados os fluxos de atendimento, limpeza, resíduos, armazenamento, privacidade, biossegurança e registro das informações. Em uma operação como essa, o equipamento é apenas uma parte do projeto.
Em clínicas e consultórios, a implantação de um posto de coleta pode melhorar a jornada do paciente, reduzir deslocamentos e integrar os exames ao atendimento. Entretanto, transformar uma sala disponível em uma operação regularizada envolve várias etapas. É necessário avaliar o enquadramento do serviço, o projeto físico, as licenças, o responsável técnico, os profissionais, os procedimentos de coleta, a conservação temporária e o transporte das amostras até o laboratório responsável pelo processamento. Também é preciso organizar o sistema utilizado, os documentos operacionais, os registros e o treinamento da equipe. Por isso, uma implantação segura não deve ser conduzida apenas com base na velocidade de abertura. O objetivo é construir uma unidade preparada para funcionar de forma padronizada e sustentável.
A avaliação futura da RDC 978/2025 não exige que os estabelecimentos interrompam seus projetos. Ela reforça a importância de começar da maneira correta. Antes de implantar um serviço de exames, é recomendável:
As exigências locais podem variar. Por isso, orientações genéricas não substituem a avaliação específica do município, do conselho profissional e do modelo operacional escolhido.
A conformidade sanitária não deve ser vista apenas como uma obrigação documental. Uma operação organizada reduz improvisos, ajuda a prevenir interrupções, melhora a padronização do atendimento e oferece mais segurança para o estabelecimento, para os profissionais e para os pacientes. Para quem pretende investir em um posto de coleta ou oferecer exames point-of-care, a pergunta não deve ser apenas “quanto custa começar?”.
Também é necessário perguntar:
A Alca Lab acompanha o desenvolvimento regulatório do setor e estrutura seus projetos considerando implantação, padronização, suporte e organização dos processos. Para clínicas e consultórios, o modelo Alca Lab Saúde permite avaliar a implantação de um posto de coleta integrado à jornada do paciente. Para farmácias, o Alca Lab Pharma estrutura a implantação de serviços de exames point-of-care, considerando as características do estabelecimento e as exigências aplicáveis à operação. Em ambos os casos, a implantação precisa ser analisada de maneira individualizada. Localização, estrutura, profissionais, portfólio de exames e exigências sanitárias influenciam o projeto.
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